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Linguagem inclusiva para pessoas trans

Linguagem inclusiva para pessoas trans

As palavras importam. Nao em sentido retorico, mas em sentido mensuravel. Um estudo de 2018 da Universidade do Texas em Austin (Russell et al.) demonstrou que o uso do nome escolhido por uma pessoa transgenero em diferentes contextos — casa, escola, trabalho, amizades — esta associado a uma reducao de 34% dos pensamentos suicidas, 65% das tentativas de suicidio e 71% dos sintomas depressivos graves [1]. Nao se trata de gentileza opcional: a linguagem que usamos para falar de e com pessoas trans tem um impacto direto em sua saude.

O portugues apresenta desafios particulares. E uma lingua profundamente generificada: cada substantivo, adjetivo, participio passado e pronome carrega uma desinencia masculina ou feminina. Para as pessoas nao binarias, que nao se identificam de modo exclusivo como homem ou mulher, essa estrutura linguistica pode representar um obstaculo cotidiano. Mas as solucoes existem — e sao mais simples do que se pensa.

Este guia explora os instrumentos da linguagem inclusiva em portugues: dos pronomes ao nome escolhido, da neolinguagem a reformulacao das frases, do deadnaming ao misgendering, ate o uso da linguagem inclusiva nos contextos profissionais e institucionais.

Pronomes: ele, ela, elu

O pronome e o modo mais direto com que a linguagem reconhece — ou nega — a identidade de uma pessoa. Em portugues, os pronomes de terceira pessoa do singular sao ele e ela. Diferente do ingles, onde o pronome neutro singular they/them tem uma longa historia de uso, o portugues nao dispoe de um pronome neutro codificado pela gramatica tradicional.

As opcoes em uso

  • Ele / ela: a maioria das pessoas trans binarias (homens trans e mulheres trans) usa o pronome correspondente a sua identidade de genero. Um homem trans usa ele, uma mulher trans usa ela. E a situacao mais simples, e requer apenas atencao e respeito.

  • Elu: algumas pessoas nao binarias no Brasil adotaram elu como pronome de terceira pessoa singular neutro. Embora nao seja reconhecido pela gramatica normativa, tem ganhado espaco em comunidades LGBTQ+ e em alguns ambitos academicos e midiaticos.

  • Nenhum pronome: algumas pessoas preferem que se use diretamente seu nome no lugar do pronome. Em vez de “Ela chega amanha”, se dira “Marta chega amanha”.

Como saber qual pronome usar

A regra e simples: pergunte. Um “Quais pronomes voce usa?” e apropriado, respeitoso e apreciado. As diretrizes APA de 2015 para a pratica com pessoas transgenero recomendam explicitamente aos profissionais que perguntem nome e pronomes em vez de presumir o genero de uma pessoa com base em sua aparencia [6].

Se voce nao tem a possibilidade de perguntar diretamente — por exemplo, porque esta falando de uma pessoa publica que nao conhece — procure informacoes sobre os pronomes que aquela pessoa usa em seus perfis ou em declaracoes publicas. Na duvida, use o nome.

O nome escolhido e o deadnaming

O nome escolhido (ou nome social) e o nome com o qual uma pessoa trans se identifica, que pode ser diferente do nome registrado em cartorio. O deadnaming consiste em usar o nome de registro anterior (chamado deadname) de uma pessoa trans, seja intencionalmente ou por desatencao.

Por que o deadnaming e prejudicial

O estudo de Russell et al. (2018) quantificou o impacto do uso do nome escolhido. Quando o nome escolhido e respeitado em todos os quatro contextos principais (casa, escola, trabalho, amizades), os jovens transgenero mostram reducoes significativas de depressao, ideacao suicida e tentativas de suicidio em comparacao com quem nao pode usar seu nome em nenhum contexto [1].

O GLAAD Media Reference Guide especifica que o nome anterior de uma pessoa trans nunca deve ser usado, nem para se referir ao passado da pessoa [4]. Escrever ou dizer “Quando se chamava ainda…” invalida a identidade da pessoa e comunica a mensagem de que sua identidade atual seria menos autentica que a anterior.

Regras praticas

  • Use sempre o nome escolhido, mesmo quando falar sobre o passado da pessoa. “Quando o Marco era pequeno…” e correto, mesmo que na epoca Marco tivesse outro nome.
  • Nao pergunte o deadname por curiosidade. Se a pessoa quiser compartilhar essa informacao, fara isso espontaneamente.
  • Se voce souber do deadname de alguem, nao o use e nao o compartilhe com outros. Revelar o deadname de uma pessoa e uma forma de outing.
  • Atualize seus contatos, os grupos de mensagem, os e-mails e qualquer outra referencia ao nome antigo o mais rapido possivel.

O misgendering: o que e e o que causa

O misgendering consiste em atribuir a uma pessoa um genero diferente daquele com o qual se identifica — atraves de pronomes, desinencias, titulos ou referencias erradas. Em portugues, onde o genero gramatical permeia quase toda frase, o misgendering pode acontecer de modos muito sutis: um adjetivo no masculino usado para uma mulher trans, um “obrigado” em vez de “obrigada”, um “senhor” em vez de “senhora”.

O impacto do misgendering

Um estudo de 2023 publicado no International Journal of Transgender Health analisou a frequencia e as consequencias do misgendering em pessoas nao binarias no Canada. Os resultados mostram que o misgendering frequente esta associado a niveis significativamente mais altos de depressao, ansiedade e estresse psicologico [2]. 59% das pessoas nao binarias na amostra eram misgenderizadas diariamente [2]. Nao se trata de uma questao de “sensibilidade excessiva”: e uma experiencia repetida com um peso cumulativo documentado pela pesquisa.

A pesquisa 2024 do Trevor Project confirma esse dado de modo indireto: menos da metade dos jovens transgenero e nao binarios (46%) relata que a maioria das pessoas em sua vida usa os pronomes corretos [10].

Como se corrigir

Voce vai errar. Todos erram, especialmente no inicio ou quando conhecem uma pessoa de antes de sua transicao. A questao nao e nunca errar, mas como voce lida com o erro.

O GLAAD recomenda uma abordagem em tres passos [5]:

  1. Corrija-se imediatamente. “Ele disse que — desculpa, ela disse que chega as tres.”
  2. Nao dramatize. Evite desculpas prolongadas, justificativas ou explicacoes sobre o quao dificil e para voce. Isso desloca a atencao da pessoa trans para voce, colocando-a na posicao de ter que te consolar.
  3. Empenhe-se em melhorar. Pratique em particular. Conte uma historia sobre a pessoa usando o nome e os pronomes corretos. A repeticao cria automatismo.

Se perceber que misgenderizou alguem em sua ausencia, corrija-se mesmo assim. Isso sinaliza aos outros que os pronomes corretos importam mesmo quando a pessoa nao esta presente.

O desafio do portugues: uma lingua binaria

O portugues e uma lingua de genero gramatical binario. Cada substantivo e masculino ou feminino, e adjetivos, artigos, participios passados e pronomes se flexionam em concordancia. Nao existe um genero neutro gramatical como no alemao ou no ingles (onde it e o singular they oferecem opcoes nao binarias).

Essa estrutura cria uma dificuldade especifica para as pessoas nao binarias. Em ingles, uma pessoa nao binaria pode pedir o uso de they/them sem que a gramatica seja distorcida. Em portugues, cada frase exige escolhas de genero: “Fui ao cinema” (sem problema), mas “Estou cansado/cansada”, “Foi muito bom/boa”, “Meu/minha colega”.

Nos ultimos anos, a comunidade linguistica brasileira tem proposto diversas solucoes. Nenhuma foi adotada oficialmente na lingua padrao, mas todas tem o merito de tornar visivel um problema e de oferecer ferramentas a quem precisa delas.

A neolinguagem

A neolinguagem e uma proposta linguistica que utiliza desinencias neutras em portugues, substituindo as terminacoes de genero por formas alternativas. A mais comum e o uso da vogal -e como terminacao neutra.

Como funciona

A neolinguagem substitui as desinencias de genero:

  • bonito / bonita se torna bonite
  • todos / todas se torna todes
  • bem-vindo / bem-vinda se torna bem-vinde
  • querido amigo / querida amiga se torna queride amigue

O pronome neutro proposto e elu/delu, usado em substituicao a ele/dele ou ela/dela.

Os limites praticos

A neolinguagem apresenta limites concretos que e importante reconhecer:

  • Reconhecimento gramatical: nao e reconhecida pela norma culta nem pelos dicionarios oficiais.
  • Acessibilidade: os leitores de tela utilizados por pessoas com deficiencia visual podem nao ler corretamente as formas neutras.
  • Legibilidade: em textos longos, o uso extensivo pode tornar a leitura mais dificultosa.
  • Familiaridade: muitas pessoas ainda nao estao familiarizadas com essas formas.

O “x”, o ”@” e outras solucoes

O “x”

O x foi uma das primeiras solucoes propostas para indicar abertura a todos os generos na escrita: amigxs, todxs, queridx. E difundido especialmente em ambitos academicos e ativistas.

Seu principal limite e que nao e pronunciavel: e uma ferramenta exclusivamente escrita.

O ”@”

O @ foi outra solucao proposta: amig@s, tod@s. Tem os mesmos limites de pronuncia do “x” e problemas adicionais de acessibilidade com leitores de tela.

A reformulacao (o metodo mais acessivel)

A estrategia mais pratica e imediatamente acessivel e a reformulacao das frases para evitar desinencias de genero. Essa abordagem nao requer caracteres especiais, e pronunciavel, acessivel a leitores de tela e compreensivel por todos.

Exemplos:

  • Em vez de “Voce esta pronto/pronta?” pode-se dizer “Voce esta preparado para comecar?” ou simplesmente “Tudo pronto?”
  • Em vez de “Bem-vindo/bem-vinda” pode-se dizer “Boas-vindas” ou “Que bom ter voce aqui”
  • Em vez de “Os colegas foram otimos” pode-se dizer “A equipe fez um otimo trabalho”
  • Em vez de “Os estudantes devem se inscrever” pode-se dizer “Quem frequenta o curso deve se inscrever”
  • Em vez de “Cada um faca a sua parte” pode-se dizer “Cada pessoa faca a sua parte”

Esse metodo tem a vantagem de funcionar em qualquer contexto — escrito e oral, formal e informal — sem exigir a adocao de novas convencoes graficas ou foneticas.

O debate: argumentos pro e contra

A adocao de formas neutras em portugues e objeto de um debate vivaz, que envolve linguistas, ativistas, instituicoes e opiniao publica. Apresentar ambas as posicoes de modo honesto e importante para uma compreensao completa.

As razoes a favor

  • Reconhecimento: para as pessoas nao binarias, ter ferramentas linguisticas que refletem a propria identidade reduz a experiencia cotidiana de invisibilidade.
  • A lingua evolui: o portugues sempre se transformou ao longo do tempo. Palavras, construcoes e usos gramaticais que hoje consideramos normais foram inovacoes contestadas no passado. A proposta de formas neutras se insere nesse processo natural de evolucao linguistica.
  • Uso direcionado, nao universal: a maioria dos defensores da neolinguagem nao pede que seja usada em todos os lugares e por todos, mas que esteja disponivel como opcao para quem precisa, especialmente quando se dirigem a pessoas nao binarias que a solicitam.

As razoes contra

  • Acessibilidade: o uso de formas como “x”, ”@” ou ate a neolinguagem pode criar dificuldades para pessoas com dislexia e para quem utiliza leitores de tela. Uma linguagem inclusiva que exclui pessoas com deficiencia corre o risco de deslocar o problema em vez de resolve-lo.
  • Legibilidade e naturalidade: para muitas pessoas falantes, as formas neutras ainda soam artificiais e tornam os textos menos fluidos.
  • Complexidade gramatical: o portugues tem um sistema morfologico articulado em que o genero interage com artigos, adjetivos, participios e pronomes. Introduzir um terceiro genero gramatical requer modificacoes em cascata que vao alem da simples substituicao de uma vogal final.
  • Risco de imposicao: algumas pessoas percebem a adocao de formas neutras como uma obrigacao, gerando uma reacao de rejeicao que pode dificultar em vez de favorecer a inclusao.

Uma posicao equilibrada

O debate sobre as formas neutras e legitimo e util. Mas e importante nao confundir a discussao sobre os instrumentos com o principio subjacente: o respeito pela identidade de cada pessoa. Qualquer que seja a posicao sobre a neolinguagem, usar o nome e os pronomes que uma pessoa pede para si nao e uma questao linguistica — e uma questao de respeito.

O objetivo nao e impor uma solucao unica, mas ampliar as possibilidades da lingua para que ninguem se sinta excluido. Se a neolinguagem nao convence, a reformulacao das frases permanece uma ferramenta poderosa e acessivel a todos.

Linguagem inclusiva nos contextos profissionais

O contexto de trabalho e institucional e um ambito em que a linguagem inclusiva tem um impacto particularmente significativo. As diretrizes da Human Rights Campaign Foundation para a inclusao transgenero no local de trabalho (2023) oferecem orientacoes praticas que se aplicam tambem ao contexto brasileiro [11].

Comunicacao interna

  • E-mails e documentos: use formulas neutras nas comunicacoes dirigidas a grupos (“Equipe” ou “Colegas” em vez de apenas “Caros colegas”).
  • Formularios: quando possivel, inclua um campo aberto para o genero e um campo para pronomes, alem das opcoes tradicionais.
  • Crachas e assinatura de e-mail: inserir os pronomes na assinatura de e-mail (ex. “Marco Souza - ele/dele”) normaliza a pratica e reduz a pressao sobre as pessoas trans, que nao serao as unicas a faze-lo [11].

Comunicacao externa

  • Site e redes sociais: utilizar uma linguagem que nao pressuponha o genero do publico. Em vez de “Bem-vindo ao nosso site” pode-se escrever “Boas-vindas ao nosso site”.
  • Atendimento ao cliente: treinar a equipe para nao presumir o genero de quem liga ou escreve. Usar o nome fornecido pela pessoa sem comentar, verificar ou questionar.
  • Formularios: os formularios impressos e digitais devem permitir a insercao do nome social alem do nome de registro, quando as normas o permitirem.

Universidade e escola

Diversas universidades e escolas brasileiras adotaram politicas de nome social — a possibilidade para estudantes transgenero de serem registrados com o nome escolhido nos sistemas internos, nas listas de classe e nos crachas, antes mesmo da conclusao do processo legal de mudanca de nome. No Brasil, o Decreto 8.727/2016 garante o uso do nome social no ambito da administracao publica federal, e o MEC reconhece o direito ao nome social em instituicoes de ensino.

Os Standards of Care versao 8 do WPATH (2022) recomendam que as instituicoes adotem politicas que respeitem o nome e os pronomes escolhidos pelas pessoas transgenero e de genero diverso, reconhecendo o impacto positivo dessas praticas na saude mental [8].

Erros comuns e como evita-los

Aqui esta uma lista de erros frequentes na linguagem usada para falar de e com pessoas trans, com as respectivas correcoes.

Terminologia incorreta

  • “Um trans” / “uma trans”: trans e um adjetivo, nao um substantivo. Diz-se “uma pessoa trans”, “um homem trans”, “uma mulher trans”. O GLAAD Media Reference Guide sublinha que usar “trans” como substantivo reduz toda a identidade de uma pessoa a uma unica caracteristica [4].

  • “Transexual”: esse termo e considerado datado por muitas pessoas e organizacoes [4]. O termo preferido e “transgenero” ou simplesmente “trans”. No entanto, algumas pessoas — especialmente da geracao anterior — continuam a se identificar como transexuais, e sua escolha deve ser respeitada.

  • “Homem de verdade” / “mulher de verdade”: implica que as pessoas trans nao sejam verdadeiramente homens ou mulheres. Um homem trans e um homem. Uma mulher trans e uma mulher. Acrescentar “de verdade” ou “biologico” como qualificacao sugere que sua identidade e menos autentica.

  • “Sexo de nascimento”: a formulacao correta e “sexo atribuido ao nascimento”, porque o genero nao e escolhido pela pessoa, mas e atribuido com base na observacao dos genitais no momento do nascimento [6].

Construcoes a evitar

  • “Era um homem e agora e uma mulher”: uma mulher trans sempre foi uma mulher. Nao mudou de genero: tornou sua identidade visivel e reconhecida. Melhor: “E uma mulher trans” ou “Lhe foi atribuido o genero masculino ao nascimento”.

  • “A operacao”: nem todas as pessoas trans realizam procedimentos cirurgicos, e nao existe uma unica cirurgia que defina a transicao. Alem disso, perguntar sobre procedimentos cirurgicos e invasivo exatamente como seria com uma pessoa cisgenero [4].

  • “Escolha de genero”: a identidade de genero nao e uma escolha. A American Psychological Association, a Organizacao Mundial da Saude e as principais associacoes medicas internacionais concordam que a identidade de genero e um componente intrinseco da pessoa, com bases biologicas documentadas pela pesquisa [6].

Guia rapido de referencia

Para quem quer um resumo pratico, aqui estao as regras fundamentais:

Faca sempre:

  • Use o nome escolhido pela pessoa, em qualquer contexto
  • Use os pronomes solicitados (ele, ela, elu, ou nenhum pronome)
  • Pergunte “Quais pronomes voce usa?” quando nao tiver certeza
  • Corrija-se rapidamente e sem drama se errar
  • Pratique em particular com o nome e os pronomes corretos

Nao faca:

  • Nao use o deadname, nem para falar do passado
  • Nao pergunte “Como voce se chamava antes?” por curiosidade
  • Nao use “trans” como substantivo
  • Nao pergunte sobre procedimentos cirurgicos ou genitais
  • Nao presuma o genero de uma pessoa por sua aparencia
  • Nao use neolinguagem se a pessoa nao a solicitou

Quando falar a grupos:

  • Use formulacoes neutras (“A equipe”, “Quem participa”, “As pessoas presentes”)
  • Alterne masculino e feminino se a reformulacao nao for possivel
  • Adicione seus pronomes na assinatura de e-mail e nos perfis profissionais

Alem da gramatica

A linguagem inclusiva nao se esgota na gramatica. E uma atitude que diz respeito ao modo como falamos das pessoas trans na conversa cotidiana, na midia, na politica e na educacao.

Usar uma linguagem respeitosa significa tambem nao reduzir as pessoas trans a sua transicao, nao tratar sua identidade como um topico de debate sobre o qual “ouvir os dois lados”, nao apresentar sua existencia como uma questao controversa. As diretrizes APA recomendam “despersonalizar” as diferencas e tratar as identidades transgenero com a mesma naturalidade com que se tratam as identidades cisgenero [6].

Os dados falam claro: as palavras tem consequencias mensuraveis. O estudo de Russell et al. mostra que um gesto simples como usar o nome correto pode reduzir drasticamente o risco suicida [1]. A pesquisa do Trevor Project de 2024 confirma que o apoio social — do qual a linguagem e um componente fundamental — e o fator protetor mais forte para a saude mental das pessoas transgenero [10].

Nao e preciso adotar a neolinguagem ou dominar cada nuance do debate linguistico. E preciso chamar as pessoas pelo nome que pedem, usar os pronomes que preferem e se corrigir quando errar. A linguagem inclusiva, em sua forma mais essencial, e isso: reconhecer as pessoas por aquilo que sao.

Perguntas frequentes

O que e linguagem inclusiva?

A linguagem inclusiva e um modo de se comunicar que reconhece e respeita todas as identidades de genero. Em portugues inclui o uso do nome escolhido, dos pronomes corretos (ele, ela, elu) e, quando solicitado, de formas neutras como a neolinguagem ou a reformulacao de frases para evitar desinencias de genero.

O que e a neolinguagem?

A neolinguagem propoe o uso de pronomes e desinencias neutras em portugues (como 'elu/delu' e terminacoes em -e, por exemplo 'bonite', 'amigue'). E uma proposta para evitar impor um genero binario, mas nao e obrigatoria: deve ser usada apenas quando a pessoa interessada o preferir.

O que fazer se eu errar os pronomes de alguem?

Corrija-se brevemente ('desculpa, quis dizer ela'), continue sem dramatizar e empenhe-se em fazer melhor na proxima vez. Evite desculpas prolongadas ou justificativas: elas deslocam a atencao para voce em vez de para a pessoa que foi misgenderizada.

A linguagem inclusiva e obrigatoria?

Nao. Nao existe nenhuma obrigacao legal de usar a neolinguagem ou outras formas neutras. A linguagem inclusiva e uma escolha de respeito, nao uma imposicao. A pratica mais importante e usar o nome e os pronomes que cada pessoa pede para si.

Publicado há 3 meses · 12 fontes citadas Gerado com IA
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