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Pessoas trans e a escola na Itália

Pessoas trans e a escola na Itália

A escola deveria ser um lugar seguro para todos. Para muitos estudantes transgênero e não binários na Itália, não é. Os dados mostram que o bullying transfóbico continua generalizado, que a maioria das escolas não possui ferramentas adequadas e que as consequências para a saúde mental e o desempenho escolar são sérias e documentadas.

Mas os dados também mostram algo mais: quando as escolas adotam políticas inclusivas, quando os professores se capacitam e quando as famílias colaboram com a instituição, a qualidade de vida dos estudantes trans melhora de forma significativa [3]. Este artigo reúne as informações necessárias para que estudantes, pais e profissionais da educação possam lidar com a situação de maneira informada e prática.

O problema: os números do bullying transfóbico

Antes de falar sobre soluções, é necessário entender a dimensão do problema. Os dados disponíveis — tanto italianos quanto europeus — traçam um quadro claro.

Na Itália

O relatório Efeito Borboleta, do Gay Center, revelou que 35% dos estudantes LGBT+ italianos declaram já ter sofrido discriminação na escola [8]. Um em cada quatro estudantes LGBT+ sofreu episódios de bullying físico [8]. O dado mais preocupante diz respeito à autocensura: 51% dos estudantes escondem a sua orientação sexual ou identidade de gênero na escola para evitar serem alvo de ataques [8].

Para os estudantes transgênero, a situação é ainda mais crítica. As pessoas trans estão expostas a um nível de estigma e visibilidade que as torna alvos particularmente vulneráveis. E a falta de programas dedicados agrava o problema: segundo os dados disponíveis, apenas cerca de 11% das escolas de ensino médio italianas ativaram programas inclusivos específicos para estudantes trans e LGBT+.

Na Europa

A pesquisa EU LGBTIQ Survey III, da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA), publicada em 2024, coletou as experiências de mais de 100.000 pessoas LGBTIQ em toda a Europa [1]. Os resultados no ambiente escolar são pesados: 67% das pessoas LGBTIQ declararam ter sofrido bullying, zombaria, insultos ou ameaças durante os anos de escola [1]. Entre os jovens de 15 a 17 anos, 51% indicaram que o episódio mais recente de assédio havia sido perpetrado por alguém do ambiente escolar [1].

As pessoas transgênero sofrem as taxas mais altas de discriminação em termos absolutos: 64% das mulheres trans relataram ter sofrido discriminação nos doze meses anteriores à pesquisa [1].

As consequências

O bullying transfóbico não é um problema que se resolve “criando casca grossa”. As consequências documentadas incluem:

  • Evasão escolar e absenteísmo. Um estudo publicado na PMC em 2024 demonstrou uma correlação direta entre o bullying transfóbico e o aumento do absenteísmo, com um número significativo de estudantes trans mudando de escola ou abandonando totalmente os estudos [10].
  • Sofrimento psicológico. 26% das vítimas de bullying homotransfóbico desenvolvem comportamentos autolesivos e 15% manifestam pensamentos suicidas, segundo os dados italianos [8].
  • Desempenho escolar comprometido. Um estudante que gasta suas energias para se esconder, evitar corredores ou temer o recreio não consegue se concentrar nos estudos. A queda no rendimento é uma consequência direta, não uma coincidência.

De acordo com a pesquisa do Trevor Project de 2022, conduzida com quase 34.000 jovens LGBTQ nos Estados Unidos, jovens trans que percebiam a própria escola como um ambiente acolhedor apresentavam taxas significativamente menores de tentativas de suicídio [13]. O ambiente escolar não é um detalhe: é um fator determinante.

A carreira alias: a ferramenta que existe

Na ausência de uma lei nacional específica, as escolas italianas desenvolveram uma ferramenta concreta de proteção: a carreira alias (perfil com nome social).

Como funciona

A carreira alias é um acordo de confidencialidade entre a instituição escolar, o estudante e a família (no caso de estudantes menores de idade). Por meio deste acordo, o estudante transgênero pode ser chamado pelo nome escolhido — e não pelo nome de registro civil — nos diários internos, na chamada de classe, nas comunicações entre os professores e nos e-mails institucionais.

Não se trata de uma alteração nos documentos oficiais. O diploma de conclusão do ensino médio (maturità), ao término do Exame de Estado, ainda trará o nome de registro. A carreira alias opera exclusivamente dentro do ambiente escolar, mas é exatamente lá que o estudante passa grande parte do dia, e exatamente lá que o nome errado pode causar sofrimento diário.

Os números na Itália

A disseminação da carreira alias nas escolas italianas cresceu significativamente nos últimos anos. De acordo com dados da AGEDO (Associação de Pais, Parentes e Amigos de pessoas LGBT+), mais de 480 escolas na Itália preveem em seu regulamento a carreira alias — das quais 475 são públicas e 6 são conveniadas [4]. A Lombardia lidera o ranking com 63 instituições, seguida por outras regiões do norte e do centro [4].

Nas universidades, a situação é mais consolidada. A primeira universidade a ativar a carreira alias foi a de Turim, em 2003 [5]. Hoje, quase todas as principais universidades italianas a preveem, incluindo Bocconi, Bicocca, Cattolica, Statale e o Politecnico em Milão, além de dezenas de outras em toda a Itália [5].

Como ativá-la

O procedimento varia de escola para escola, mas geralmente segue estes passos:

  1. Solicitação formal por parte do estudante (e da família, se menor) à direção escolar.
  2. Assinatura de um termo de confidencialidade que especifica o nome escolhido e as modalidades de uso.
  3. Comunicação reservada ao corpo docente e, se necessário, ao quadro administrativo.
  4. Atualização do sistema eletrônico interno com o nome alias (social).

Se a escola do seu filho ainda não possui um regulamento para a carreira alias, é possível propô-la. A associação GenderLens publicou um modelo de regulamento escolar que pode ser adaptado e apresentado ao conselho escolar [9]. Não são necessárias autorizações ministeriais: a decisão cabe à autonomia da escola.

Os limites

A carreira alias não é uma solução perfeita. Ela não protege dos olhares dos colegas que conheciam o nome anterior, não resolve o problema dos documentos oficiais e não garante automaticamente o acesso aos banheiros e vestiários condizentes com a identidade de gênero. Mas, para muitos estudantes, é a diferença entre encarar cada dia escolar com um mínimo de tranquilidade e sentir sua própria identidade ser negada durante oito horas por dia.

O quadro normativo italiano

Não existe na Itália uma lei específica que regule a condição dos estudantes transgênero nas escolas. No entanto, diversos instrumentos jurídicos oferecem uma base de proteção.

A Constituição

O artigo 3º da Constituição italiana consagra o princípio da igualdade e proíbe qualquer discriminação baseada em “condições pessoais e sociais”. O artigo 34º garante o direito ao estudo. Esses princípios constituem a base jurídica para contestar qualquer tratamento discriminatório no ambiente escolar.

A Lei 107/2015 (A Boa Escola)

O artigo 1º, parágrafo 16, da Lei 107/2015 estabelece que o plano trienal de oferta formativa assegure “a implementação dos princípios de igualdade de oportunidades, promovendo nas escolas de todos os níveis e graus a educação para a igualdade entre os sexos, a prevenção da violência de gênero e de todas as discriminações”.

Em cumprimento a esta norma, o Ministério da Educação (MIUR) emitiu em 2017 as Diretrizes Nacionais “Educar para o respeito”, que contêm orientações para o combate à discriminação e a promoção de uma cultura de respeito [7]. As diretrizes não mencionam explicitamente os estudantes transgênero, mas a referência ao combate a “todas as discriminações” tem sido interpretada de forma ampla por muitas escolas [7].

O Estatuto das Alunas e dos Alunos

O Decreto Presidencial (DPR) 249/1998 garante a todo estudante o direito à dignidade pessoal e proíbe qualquer forma de discriminação. Este instrumento pode ser invocado em casos de bullying ou tratamento discriminatório por parte de colegas ou profissionais da escola.

O que falta

Não existe uma lei que proíba explicitamente a discriminação baseada na identidade de gênero nas escolas. Não existem diretrizes ministeriais específicas para a ativação da carreira alias. Não existe obrigatoriedade de formação do corpo escolar sobre questões de gênero. Cada boa prática, no momento, depende da sensibilidade e da vontade de cada escola, de cada diretor, de cada professor.

O papel dos professores

Os professores costumam ser os primeiros adultos a quem um estudante trans recorre — às vezes, antes mesmo dos pais. A forma como um docente reage pode fazer a diferença entre um estudante que se sente protegido e um que se fecha em silêncio.

O que fazer

  • Usar o nome e os pronomes solicitados. Pode parecer um gesto pequeno, mas para um estudante trans, ser chamado pelo nome correto durante a chamada é um reconhecimento fundamental. Se errar, corrija-se sem dramatizar e siga em frente.
  • Intervir contra o bullying. Não ignore comentários transfóbicos, piadas ou insultos — mesmo quando o estudante trans não estiver presente. A indiferença dos adultos é lida como aprovação.
  • Não fazer outing (tirar do armário). Não revele a identidade de gênero de um estudante sem o seu consentimento explícito, nem para colegas, nem para outros estudantes, nem para os pais. O outing é uma violação de privacidade que pode ter consequências graves.
  • Criar um ambiente seguro na sala de aula. Utilizar uma linguagem inclusiva, abordar os temas da diversidade quando o currículo permitir, mostrar que a sala de aula é um espaço onde cada um pode ser si mesmo.
  • Capacitar-se. Não é necessário ser um especialista em identidade de gênero para ser um bom professor para um estudante trans. Mas informar-se — lendo, participando de cursos de atualização, consultando recursos como o Infotrans.it [6] — é um gesto de responsabilidade profissional.

O que não fazer

  • Não colocar o estudante no centro das atenções sem o consentimento dele. Algumas boas intenções podem sair pela culatra: pedir publicamente que o estudante “conte a sua experiência” para a turma, por exemplo, pode ser fonte de profundo constrangimento.
  • Não tratar a identidade de gênero como um tema de debate. A existência das pessoas trans não é uma opinião sobre a qual se possa discutir em sala de aula como se fosse uma questão em aberto. A dignidade de um estudante não se coloca em votação.
  • Não fazer perguntas sobre o corpo. Perguntas sobre a transição médica, sobre cirurgias ou características físicas são inadequadas e invasivas, partindo de qualquer pessoa.

A questão dos banheiros e dos vestiários

O acesso a banheiros e vestiários condizentes com a própria identidade de gênero é um dos temas mais concretos — e mais controversos — para os estudantes trans na escola.

O que dizem os dados

Segundo a GLSEN, 68% dos estudantes transgênero declaram não ter acesso a banheiros condizentes com sua identidade de gênero [2]. Quando os estudantes são forçados a usar os banheiros do gênero atribuído ao nascer, as consequências documentadas incluem: aumento do bullying (os banheiros são um dos espaços menos vigiados da escola), desenvolvimento de problemas urinários (muitos estudantes evitam ir ao banheiro durante todo o dia letivo) e aumento do absenteísmo [2].

Soluções práticas

Algumas escolas italianas adotaram soluções pragmáticas:

  • Banheiro individual unissex. A instituição disponibiliza um banheiro individual — geralmente o de pessoas com deficiência ou o dos funcionários — que qualquer estudante pode utilizar. É uma solução simples e sem custo.
  • Acesso ao banheiro condizente com a identidade de gênero. Algumas escolas permitem que o estudante trans utilize os banheiros do gênero com o qual se identifica, conforme previsto pela carreira alias.
  • Para os vestiários, a solução mais comum é o uso de um espaço separado (uma enfermaria, um vestiário de funcionários) ou o acesso ao vestiário alguns minutos antes ou depois dos outros estudantes.

Nenhuma dessas soluções é ideal em sentido absoluto. Mas a alternativa — forçar um estudante a uma experiência diária de humilhação ou de negação — não é aceitável.

O psicólogo escolar

O psicólogo da escola pode desempenhar um papel precioso, desde que tenha formação adequada sobre as questões de identidade de gênero.

O que ele pode fazer

  • Ser um ponto de referência seguro para o estudante trans, um adulto a quem ele possa recorrer sem o medo de ser julgado.
  • Mediar com o corpo docente e a direção para facilitar a ativação da carreira alias e a adoção de boas práticas.
  • Apoiar a turma e os colegas na compreensão da situação, quando o estudante o desejar.
  • Colaborar com a família, servindo de ponte entre as necessidades do estudante e as preocupações dos pais.
  • Identificar sinais de sofrimento — depressão, isolamento, autolesão — e ativar os caminhos de suporte necessários.

Atenção à formação

Nem todos os psicólogos escolares têm competências específicas em identidade de gênero. Um psicólogo que considera a identidade trans como um problema a ser resolvido, em vez de uma parte da pessoa a ser acompanhada, pode causar mais danos do que benefícios. As diretrizes da Associação Americana de Psicologia (APA) recomendam uma abordagem afirmativa: o psicólogo não deve tentar modificar a identidade de gênero do estudante, mas sim apoiar o seu bem-estar geral [11].

Se o psicólogo escolar não tiver as competências necessárias, é oportuno envolver um profissional externo especializado. Os centros do ONIG (Observatório Nacional sobre a Identidade de Gênero) e o portal Infotrans.it oferecem mapas de serviços especializados na região [6].

O que os pais podem fazer

Os pais de um estudante trans têm um papel crucial na relação com a escola. Eles não são espectadores: são aliados ativos.

Antes de tudo: informar-se

Conhecer os direitos do seu filho e as ferramentas disponíveis coloca você em uma posição de força no diálogo com a escola. Saber o que é a carreira alias, conhecer a legislação de referência e ter dados e recursos à disposição permite conversar com os diretores de forma concreta e documentada.

Como dialogar com a escola

  • Solicite uma reunião reservada com a direção da escola. Explique a situação e pergunte quais ferramentas a escola pode oferecer.
  • Proponha a carreira alias se ela ainda não estiver prevista no regulamento escolar. Leve o modelo de regulamento da GenderLens como referência [9].
  • Combine as modalidades de gestão dos banheiros, dos vestiários, das excursões escolares e de qualquer outro aspecto prático.
  • Identifique um contato interno — um professor, o coordenador de turma ou o psicólogo escolar — a quem o seu filho possa recorrer caso necessite.
  • Peça a capacitação do corpo docente. Algumas associações (GenderLens, AGEDO, Arcigay) oferecem intervenções formativas gratuitas ou de baixo custo nas escolas.

Se a escola não colaborar

Nem todas as escolas estão prontas para acolher. Se você encontrar resistência, tem diversas opções:

  • Dirija-se ao Departamento Escolar Regional (USR) para denunciar a situação.
  • Contate o UNAR (Escritório Nacional Antidiscriminações Raciais), que recebe denúncias de discriminação, inclusive no ambiente escolar.
  • Envolva uma associação como a AGEDO, GenderLens ou Arcigay, que podem fornecer apoio, mediação e, se necessário, assistência jurídica.
  • Documente tudo. Cada episódio de discriminação, cada recusa, cada comunicação: a documentação é essencial se você decidir prosseguir com uma denúncia formal.

Boas práticas: o que funciona

Apesar das lacunas na legislação, existem exemplos concretos de escolas na Itália que abordaram o tema de forma eficaz. E as pesquisas internacionais oferecem indicações claras sobre o que funciona.

O modelo das escolas inclusivas

Segundo as pesquisas da GLSEN, as escolas com políticas inclusivas explícitas — regulamentos antibullying que mencionam a identidade de gênero, formação dos profissionais, presença de grupos estudantis de apoio — registram taxas significativamente menores de assédio a estudantes trans [3]. Não se trata de opiniões: é o efeito mensurável de políticas concretas.

A UNESCO desenvolveu um Índice de Inclusão LGBTQI para medir o grau de inclusão nos ambientes educacionais [12]. Os fatores-chave identificados incluem: legislação antidiscriminação que mencione explicitamente a identidade de gênero, formação obrigatória para os professores, currículos que incluam a diversidade de gênero e mecanismos de denúncia acessíveis e seguros [12].

As recomendações da APA para as escolas

As diretrizes da Associação Americana de Psicologia para o apoio a estudantes transgênero nas escolas recomendam [11]:

  • Que cada estudante tenha o direito de ser chamado pelo nome e pronomes condizentes com a sua identidade de gênero, sem que seja necessária uma alteração legal do nome.
  • Que os estudantes tenham acesso aos banheiros condizentes com sua identidade de gênero.
  • Que as escolas adotem políticas antibullying que mencionem explicitamente a identidade de gênero como uma característica protegida.
  • Que os profissionais da escola recebam formação específica e contínua.

Essas recomendações, embora elaboradas no contexto estadunidense, refletem princípios aplicáveis a qualquer lugar.

Na Itália: exemplos concretos

Diversas regiões italianas produziram documentos de referência. A Região do Lácio, por exemplo, publicou as “Diretrizes para a escola: estratégias de intervenção e promoção do bem-estar das crianças e adolescentes com variabilidade de gênero”, um documento que oferece indicações operacionais para as instituições escolares. A Região de Emilia-Romagna promoveu ações semelhantes por meio de seus departamentos de igualdade de oportunidades.

No âmbito das instituições individuais, as escolas que ativaram a carreira alias e adotaram regulamentos explícitos de inclusão relatam uma melhoria do clima escolar, não apenas para os estudantes trans, mas para toda a comunidade estudantil. A inclusão, quando é real, é uma vantagem para todos.

A quem recorrer: recursos práticos

Portais institucionais

  • Infotrans.it — O primeiro portal institucional europeu dedicado às pessoas transgênero, desenvolvido pelo Instituto Superior de Saúde (ISS) em colaboração com o UNAR [6]. Contém fichas informativas sobre discriminação, sobre os percursos e um mapa de serviços pelo país. Site: infotrans.it
  • UNAR (Escritório Nacional Antidiscriminações Raciais) — Recebe denúncias de discriminação inclusive no ambiente escolar, até de forma anônima. Site: unar.it
  • OSCAD (Observatório para a Segurança Contra Atos Discriminatórios) — Ativo desde 2011, apoia as pessoas pertencentes a minorias no efetivo usufruto do direito à igualdade e à proteção contra a discriminação. Site: interno.gov.it/OSCAD

Associações

  • AGEDO — Associação de pais, parentes e amigos de pessoas LGBT+, com sedes em toda a Itália. Oferece grupos de escuta, apoio entre pares, acompanhamento e uma lista atualizada de escolas com carreira alias [4]. Site: agedonazionale.org
  • GenderLens — Associação de pais com recursos específicos para famílias de menores trans. Oferece um modelo de regulamento escolar para a carreira alias, consultorias e formação nas escolas [9]. Site: genderlens.org
  • Arcigay — A maior associação LGBT+ italiana, com filiais locais que oferecem apoio, consultoria e intervenções nas escolas. Site: arcigay.it

Números úteis (na Itália)

  • Gay Help Line: 800 713 713 — Número verde gratuito nacional contra homofobia e transfobia. Ligação gratuita para telefone fixo e celular.
  • Telefono Amico Italia: 02 2327 2327 — Escuta e apoio, operando todos os dias.

Uma escola melhor é possível

A escola italiana não está totalmente pronta, mas também não está parada. Em poucos anos, o número de instituições com a carreira alias passou de poucas dezenas para mais de 480 [4]. As associações de pais criaram redes de apoio que há dez anos não existiam. Cada vez mais professores se capacitam, cada vez mais diretores se mostram disponíveis e cada vez mais estudantes encontram a coragem para serem eles mesmos.

O caminho ainda é longo. É necessária uma lei nacional que discipline de forma clara os direitos dos estudantes transgênero. São necessárias diretrizes ministeriais para a carreira alias. É necessária a capacitação obrigatória dos profissionais da educação sobre as questões de gênero. É necessário um mecanismo de denúncia acessível e seguro para os episódios de bullying transfóbico.

Mas enquanto isso, cada escola individual que ativa a carreira alias, cada professor que usa o nome correto, cada pai ou mãe que pede uma reunião com o diretor, cada colega de classe que se posiciona contra um insulto — cada um deles está construindo, uma peça de cada vez, a escola que já deveria existir. Uma escola onde cada estudante possa aprender sem ter que se esconder.

Perguntas frequentes

O que é a carreira alias na escola?

A carreira alias (equivalente ao uso do nome social no Brasil) é um acordo de confidencialidade entre a escola, o estudante e a família (se menor de idade) que permite que o estudante transgênero seja chamado pelo nome escolhido nos registros internos, nas comunicações e nos e-mails, antes da retificação oficial de registro civil. Na Itália, mais de 480 escolas a disponibilizam.

O que um professor pode fazer para apoiar um estudante trans?

Usar o nome e os pronomes solicitados, intervir contra o bullying transfóbico, não revelar a identidade do estudante sem o seu consentimento (outing), promover uma linguagem inclusiva na sala de aula e capacitar-se sobre questões de gênero.

Existem leis que protegem os estudantes trans nas escolas italianas?

Não existe uma lei específica para estudantes transgênero. No entanto, a Lei 107/2015 prevê a educação para o respeito e o combate a qualquer forma de discriminação. A Constituição e o Estatuto das Alunas e dos Alunos (Statuto delle studentesse e degli studenti) protegem o direito ao estudo e à dignidade.

Meu filho trans sofre bullying na escola: o que posso fazer?

Documente os episódios, solicite uma reunião com a direção da escola, envolva o psicólogo escolar e, se necessário, denuncie a situação à UNAR (Escritório Nacional Antidiscriminações Raciais) ou ao OSCAD (Observatório para a Segurança Contra Atos Discriminatórios). A Gay Help Line (800 713 713) oferece apoio gratuito.

Para aprofundar

  • Livro The Transgender Child (2008)
  • Filme Just Charlie (2017)
Publicado há 3 meses · 13 fontes citadas Gerado com IA
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